Sair das dívidas quando o salário é apertado parece impossível — mas o problema quase nunca é só a renda, e sim a falta de um plano claro. Neste artigo, você vai entender por que olhar para a dívida inteira de uma vez paralisa, e como dividir o problema em passos pequenos e possíveis faz toda a diferença. A ideia não é cortar tudo o que te dá prazer, e sim descobrir para onde o dinheiro está indo e retomar o controle, pouco a pouco.
Primeiro, tire a dívida da cabeça e coloque no papel
Enquanto a dívida fica só na memória, ela parece maior do que é. O primeiro passo é fazer uma lista com tudo o que você deve: cartão, empréstimos, carnês, contas atrasadas e até dinheiro emprestado de parentes e amigos.
Para cada dívida, anote o valor total, o valor da parcela e a taxa de juros ao mês. Se não souber os juros, peça ao banco o Custo Efetivo Total (CET) da operação.
- Consulte o Registrato, no site do Banco Central, para ver de graça as dívidas que você tem com bancos e financeiras.
- Consulte o seu CPF no Serasa ou no SPC para saber se tem alguma dívida negativada.
Descubra para onde o seu dinheiro está indo
Ganhar pouco não significa que não existe espaço para mudar. Revise os extratos do banco e as faturas do cartão dos últimos três meses e separe os gastos em essenciais (moradia, alimentação, contas básicas, transporte e saúde) e não essenciais.
Quase sempre aparecem vazamentos pequenos que somam muito no fim do mês: assinaturas esquecidas, delivery, tarifas bancárias e compras parceladas que você nem lembrava.
Dica: Anote o que realmente cai na sua conta (a renda líquida) e compare com o total de gastos. Esse número, quanto sobra ou quanto falta, é o ponto de partida do seu plano.
Pare de aumentar o buraco
Não adianta pagar uma dívida enquanto outras novas continuam entrando. Antes de pensar em quitar, é preciso fechar a torneira.
- Evite pagar só o mínimo da fatura: o restante vai para o rotativo, um dos juros mais caros do mercado.
- Faça um plano para sair do cheque especial.
- Remova o cartão salvo nos aplicativos de compras e de delivery.
- Combine com você mesmo: nenhuma compra parcelada nova até sair do vermelho.
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Defina a ordem e negocie com o que cabe no bolso
Contas essenciais, como moradia, água, luz e gás, vêm antes de qualquer dívida. Depois, priorize as dívidas com os juros mais altos, como o rotativo do cartão, o cheque especial e o empréstimo pessoal.
Na hora de negociar, calcule antes quanto cabe no seu orçamento por mês. Uma parcela que você não consegue pagar só adia o problema. Peça desconto para pagar à vista ou redução de juros no parcelamento, compare propostas nos canais oficiais do credor e só pague depois de receber o acordo por escrito.
Atenção: Nunca pague “taxa para limpar o nome” nem faça depósitos para intermediários desconhecidos. Negocie apenas pelos canais oficiais do credor.
Aumente a entrada de dinheiro, mesmo que seja pouco
Cortar gastos tem limite. Aumentar a renda, não. Vender o que você não usa mais, oferecer um serviço que já sabe fazer ou fazer alguns bicos no fim de semana acelera muito a saída das dívidas.
A regra é simples: todo dinheiro extra vai direto para a dívida mais cara da lista. O mesmo vale para o 13º salário e a restituição do Imposto de Renda.
Se as dívidas já comprometem o básico, peça ajuda
Se as parcelas já impedem você de pagar moradia e alimentação, procure o Procon da sua cidade. A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) permite renegociar várias dívidas de uma só vez, preservando o mínimo para você viver.
Sair das dívidas ganhando pouco é possível. Não é sorte nem precisa de um salário enorme: é uma sequência de decisões simples, tomadas na ordem certa, um passo de cada vez.
Aviso: os conteúdos da Nexum Finance têm caráter exclusivamente educacional e informativo e não constituem recomendação de investimento. Antes de tomar decisões, avalie a sua situação e, se necessário, procure orientação profissional.


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